ECA, sim e catabolica

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ECA, sim e catabolica

Mensagem por SeuCuca em Sab 12 Fev - 16:17

Aspirina e o ECA

Por Ary Serpa Neto

O famoso ECA é um composto muito utilizado quando tem-se como objetivo a perda de gordura. Formado por efedrina, cafeína e aspirina (normalmente na proporção de 1:10:15) basea-se na ação lipolítica da efedrina (um beta-agonista) e na potencialização desse efeito através da inibição da enzima fosfodiasterase pela cafeína. A aspirina parece diminuir o feedback negativo evitando, dessa forma, que os efeitos se estabilizem (fato muito controverso).

Nesse artigo vamos nos concentrar em uma substância desse composto, a aspirina. O ácido acetil-salicílico (composto da aspirina) é um inibidor inespecífico da enzima ciclooxigenase (COX). Essa enzima é a responsável pela formação dos eicosanóides (tromboaxano, prostaciclina e prostaglandinas) a partir do ácido araquidônico, um fosfolipídeo componente da membrana celular retirado pela ação de fosfolipases específicas. A COX possui duas formas no nosso corpo, a forma 1 (consitutiva) e a forma 2 (inflamatória). Por ser um inibidor inespecífico a aspirina age nas duas enzimas.




Geração de metabólitos do ácido araquidônico e seus papéis na inflamação


As prostaglandinas também estão implicadas na patogenia da dor e febre na inflamação. A PGE² é um hiperalgésico, pois torna a pele hipersensível a estímulo dolorosos(11).

Recentemente, a utilização da aspirina nesse stack está sendo muito discutida. Veremos alguns pontos relevantes a essa discussão.

ECA x TPC*

O período pós-ciclo é um momento muito delicado onde-se tenta, de forma mais rápida e eficaz, normalizar o eixo HHT/HPT e minimizar as perdas musculares/força. A utilização do ECA nesse momento tem como objetivo deixar a pessoa mais disposta e que com isso a perda de força seja mascarada e o atleta continue a manter o mesmo rendimento que tinha durante o ciclo minimizando, dessa forma, as perdas.

Foi estudado que os eicosanóides tem uma importante função na regulação do eixo hipotálamo-hipófise-testículo, porém menos clara é sua ação na esteroidogênese testicular. O nível hipotalâmico de PGE² (prostaglandina E²) sintetizado pela COX funciona como um mediador intracelular de liberação de GnRH(1)(2). É também sabido que na hipófise a lipoxigenase dos araquidonidatos é uma fase necessária para a secreção de LH(3)(4). Foi mostrado que os eicosanóides(5), metabolitos da lipoxigenase(6) ou o próprio ácido araquidônico(7) podem estar diretamente envolvidos na produção de testosterona. Em um estudo prévio, a administração de ácido araquidônico exógeno estimulou a produção de testosterona nas células de Leydig de ratos e sua conversão para metabólitos cicloxigenados e lipoxigenados não foi necessária para a ação esteroidogênica(Cool.

Oito homens entre 20-30 anos normais receberam os seguintes tratamentos: 1) Placebo de Aspirina + hCG ; 2) Aspirina + hCG (controle) ; 3) Aspirina + Placebo de hCG ; 4)Placebo de Aspirina + Placebo de hCG. A aspirina foi administrada na dose de 800mg duas vezes por dia por sete dias.

Foi medida a taxa de PGE² no plasma seminal e as taxas de testosterona, pregnenolona, progesterona, 17OH-P, DHEA, androstenediona e 17B-estradiol.

Foi notada uma redução nos níveis de PGE² seminal no grupo 2 (86 ug/ml antes para 12 ug/ml durante e 14 ug/ml após o tratamento). Ja no grupo 1 os níveis permaneceram inalterados. Os níveis de esteróides e PGE² não alteram nos grupos 3 e 4. Após a administração de hCG houve um aumento significante na concentração de testosterona no grupo 1 (25,9 para 76,3 após 96 horas) e um decréssimo no grupo 2 (38,3 para 29,3 após 96 horas).





Efeitos da aspirina (ou placebo) na concentração plasmática de testosterona após a administração de hCG (Vim)


As taxas plasmáticas de pregnenolona e progesterona não sofreram alterações significantes após a adminsitração de hCG, nos grupos 1 e 2.

Foi observado aumento nas taxas de 17OH-P após a administração de hCG no grupo 1 e um decréssimo significante no grupo 2.





Efeitos da aspirina (ou placebo) na concentração plasmática de Androstenediona após a administração de hCG (Vim)


A concentração de DHEA, após a adminsitração de hCG, sofreu um aumento significante no grupo 1 e um decréssimo no grupo 2.





Efeitos da aspirina (ou placebo) na concentração plasmática de DHEA após a administração de hCG (Vim)


A concentração de 17B-estradiol, após a adminsitração de hCG, não sofreu alterações significantes entre os dois grupos





Efeitos da aspirina (ou placebo) na concentração plasmática de 17B-Estradiol após a administração de hCG (Vim)


Para resumir, os valores foram colocados em um gráfico de barras paralelas





Efeitos da aspirina (ou placebo) na concentração plasmática de T (testosterona), 17OH-P (17OH-Progesterona), A (androstenediona), E² (estradiol) após a administração de hCG (Vim)


Dessa forma mostra-se que a conversão do ácido araquidônico em metabólitos cicloxigenados é necessária para a expressão dos efeitos da esteroidogênese. A primeira hipótese é a de que a estimulação indireta de outras vias metabólicas do ácido araquidônico (lipoxigenase e/ou epoxigenase) causada pelo aumento do substrato produz metabólitos que tem atividade inibitória nas células de Leydig. Essa teoria foi eliminada, pois mostrou-se uma ação estimulatória dos metabólitos da lipoxigenase na síntese de testosterona(9)(10). Sugeriu-se então uma ação independente da prostaglandina pela aspirina. Porém essa hipótese encontra certas dificuldades: 1) os efeitos da droga foram observados somente sob o estímulo do hCG ; 2) são necessárias altas doses de aspirina, como usadas no estudo, para induzir efeitos não mediados pelo bloqueio da COX.

Conclui-se então que a resposta androgênica a uma TPC (principalmente usando-se hCG) é inibida pelo tratamento com a aspirina. Logo não é recomendada a utilização de ECAs, analgésicos e medicamentos a base de ácido acetil-salicílico durante esse período.

Aspirina x Anabolismo**

A PGF² alpha estimula a síntese proteíca(12)(13).

Vinte quatro homens foram divididos em três grupos: A) placebo ; B ) ibuprofeno ; C) paracetamol e foram submetidos a exercícios resistidos. Convém comentar que o ibuprofeno funciona da mesma forma que a aspirina (AINES) tendo efeitos semelhantes. Ja o paracetamol ainda não tem seu efeito analgésico totalmente elucidade.





FSR (%hr) de proteína mista da musculatura esquelética antes e após o exercício físico


Concluiu-se que o ibuprofeno/aspirina abrandou a resposta a síntese protéica comumente observada após exercício físico.

Além disso, o ácido araquidônico parece ter uma importante função em estimular a degradação protéica(14). Inibindo-se a COX, aumenta o quantidade de AA e esse efeito pode ser potencializado.





Estimulação da degradação protéica pelo ácido araquidônico


Aspirina e efeitos sistêmicos

Metabolismo dos Carboidratos: em altas doses podem causar hiperglicemia e glicosúria e depleção de glicogênio hepático e muscular, efeitos explicados em parte pela liberação de epinefrina. Essas doses também reduzem o metabolismo aeróbio da glicose, aumentam a atividade da glicose-6-fosfatase e promovem a secreção de glicocorticóides(16)(15).

Metabolismo do nitrogênio: em doses tóxicas resultam em balanço nitrogenado significativamente negativo, caracterizado por aminoacidúria. A ativação adrenocortical pode contribuir para o balanço nitrogenado negativo ao aumentar o catabolismo protéico(16).

Metabolismo dos lipídios: redução da lipogênese ao bloquear parcialmente a incorporação do acetato em ácidos graxos; além disso, inibem a lipólise nos adipócitos, estimulada pela epinefrina e deslocam os ácidos graxos de cadeia longa dos seus locais de ligação nas proteínas plasmáticas humanas. A combinação desses efeitos, resulta em aumento da incorporação e oxidação dos ácidos graxos no músculo, no fígado e em outros tecidos, bem como na redução das concentrações plasmáticas de ácidos graxos livres, fosfolipídios e colesterol. A oxidação dos corpos cetônicos também aumenta(16).

Fosforilação Oxidativa: o desacoplamento da fosforilação oxidativa assemelha-se ao induzido pelo 2,4-dinitrofenol. Esse efeito é observado em altas doses, como as utilizados no tratamento da artrite reumatóide, e pode resultar na inibição de várias reações dependentes do ATP. Ocorre aumento da captação de oxigênio e produção de dióxido de carbono, depleção de glicogênio hepático e efeito pirético. Desidrogenases são inibidas (compete com as coenzimas de piridina nucleotídeo) assim como algumas oxidases (necessitam de nucleotídeos como coenzima) diminuindo, dessa forma, o metabolismo aeróbico(16).


Referências

1. Negro-Vilar, A., D. Conte, and M. Valenca. Transmembrane signals mediating neural peptide secretion: role of protein kinase C activators and arachidonic acid metabolites in luteinizing hormone releasing hormone secretion. Endocrinology 119: 2796-2802, 1986
2. Ojeda, S. R., A. Negro-Vilar, and S. M. McCann. Evidence of involvement of -adrenergic receptors in norepinephrine-induced prostaglandin E2 and luteinizing hormone releasing hormone release from the median eminence. Endocrinology 110: 409-412, 1982
3. Conte, D., P. Falaschi, A. Proietti, R. D'Urso, F. Citarella, M. Nordio, F. Romanelli, R. Maggi, M. Motta, and A. Isidori. Role of arachidonate metabolism on the in vitro release of luteinizing hormone and prolactin from the anterior pituitary gland: possible involvement of lipoxygenase pathway. Neuroendocrinology 43: 428-434, 1986
4. Naor, Z., L. Kiesel, J. Y. Vanderhoek, and K. J. Catt. Mechanism of action of gonadotropin releasing hormone: role of lipoxygenase products of arachidonic acid in luteinizing hormone release. J. Steroid Biochem. 23: 711-717, 1985
5. Naor, Z., L. Kiesel, J. Y. Vanderhoek, and K. J. Catt. Mechanism of action of gonadotropin releasing hormone: role of lipoxygenase products of arachidonic acid in luteinizing hormone release. J. Steroid Biochem. 23: 711-717, 1985
6. Dix, C. J., A. D. Habberfield, M. H. F. Sullivan, and B. A. Cooke. Inhibition of steroid production in Leydig cells by nonsteroidal anti-inflammatory and related compounds: evidence for the involvement of lipoxygenase products in steroidogenesis. Biochem. J. 219: 529-537, 1984
7. Lopez-Ruiz, M. P., M. S. K. Choi, M. P. Rose, A. P. West, and B. A. Cooke. Direct effect of arachidonic acid on protein kinase C and LH-stimulated steroidogenesis in rat Leydig cells: evidence for tonic inhibitory control of steroidogenesis by protein kinase C. Endocrinology 130: 1122-1130, 1992
8. Romanelli, F., M. Valenca, D. Conte, A. Isidori, and A. Negro-Vilar. Arachidonic acid and its metabolites effects on testosterone production by rat Leydig cells. J. Endocrinol. Invest. 18: 186-193, 1995
9. Reddy, P. G., M. Prasad, S. Sailesh, Y. V. Kiran Kumar, and P. Reddanna. Arachidonic acid metabolites as intratesticular factors controlling androgen production. Int. J. Androl. 16: 227-233, 1993
10. Sullivan, M. H. F., and B. A. Cooke. LTA4 and LTB4 increase steroidogenesis in rat testis Leydig cells (Abstract). J. Endocrinol. 111: 97, 1986.
11. ROBBINS, Patologia Estrutural e Funcional, ed. 6., Guanabara Koogan, pag. 62, 1999.
12. Palmer, RM. Prostaglandins and the control of muscle protein synthesis and degradation. Prostaglandins Leukotrienes Essent Fatty Acids 39: 95-104, 1990
13. Rodemann, HP, and Goldberg AL. Arachidonic acid, prostaglandin E2 and F2 influence rates of protein turnover in skeletal and cardiac muscle. J Biol Chem 257: 1632-1638, 1982
14. Rodemann, HP, and Goldberg AL. Arachidonic acid, prostaglandin E2 and F2 influence rates of protein turnover in skeletal and cardiac muscle. J Biol Chem 257: 1632-1638, 1982
15. Indomethacin and salicylate modulate effect of insulin on glucose kinetics in dogs
J. D. Miller, S. Ganguli and M. A. Sperling
16. GOODMAN & GILMAN, As Bases Farmacológicas da Terapêutica, ed. 10., Guanabara Koogan, pag. 526, 2003.
*Baseado no estudo Aspirin inhibits androgen response to chorionic gonadotropin in humans, Domenico Conte1, Francesco Romanelli1, Silvia Fillo1, Laura Guidetti2, Aldo Isidori1, Francesco Franceschi3, Maurizio Latini1, and Luigi di Luigi2.
**Baseado no estudo Effect of ibuprofen and acetaminophen on postexercise muscle protein synthesis. T. A. Trappe1, F. White1, C. P. Lambert1, D. Cesar2, M. Hellerstein2, and W. J. Evans1


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